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23.6.10

Snake- para que não seja esquecido

Fui roubar este post e este texto ao blog do meu pai

"Volto hoje aqui a um tema, que aquando do seu nefasto desenlace, resultou na morte de um jovem que por acaso era meu amigo e que à altura da sua morte, para além do irremediável acto, ainda foi “apedrejado” na praça pública, nesses fóruns da Internet, onde a coberto do anonimato, a cobardia ganha protagonismo e se vomitam alarvidades, ódios, opiniões, considerações e demais escarros, sempre ao abrigo do “corajoso” anonimato.
Na altura da sua morte, Nuno Rodrigues (Snake) foi acusado de não ter parado numa operação STOP, e por tal haver sido perseguido e morto, não sem que, logo ali se levantassem muitas suspeitas em relação ao irracional acto praticado pelas forças policiais.
Por essa altura nos fóruns dos jornais e outros, nove de cada dez comentários diziam que o Nuno tinha tido o que merecia. Se não tinha parado na operação era porque tinha algo a esconder. Que a policia só tinha feito e bem o seu trabalho. Que esses pretos deviam era ir todos para a terra deles, como se o Nuno não tivesse sido nado e criado por cá!
Isto tudo com o conforto da distância e da certeza, que tais barbaridades só acontecem aos outros. Nunca aos nossos filhos, pais, irmãos ou mesmo amigos ou simplesmente conhecidos.
Enfim, foram dias de verborreia em que se destilaram ódios, que para um país de brandos costumes, o que me era dado a ler, era tudo menos brando, era antes pelo contrário o sentimento de um país egoísta, inculto, xenófobo e acima de tudo…cobarde.
Escrevo estas linhas hoje, porque li no Correio da Manhã que afinal, o Nuno não foi mandado parar em nenhuma operação Stop, fez uma inversão de marcha a pelo menos cem metros da dita, o que me parece não ser proibido (e mesmo se fosse, a multa nunca seria paga com a própria vida), tinha a carta de condução em dia, não tinha álcool nem drogas tanto no carro como no corpo.
Quando vi o carro e local que a bala perfurou, o trajecto que esta percorreu notava-se a olho nu que a bala tinha feito uma trajectória ascendente, nunca podendo ter sido feita em perseguição conforme foi avançado na altura.
Soube-se agora que afinal, o policia mentiu à PJ dizendo que a arma se havia disparado acidentalmente quando ia em corrida atrás do Lancia Y10 que o Nuno conduzia, e que apenas o primeiro tiro vários segundos antes havia sido intencional.
A versão do sistema de gravação do 112 com dois tiros seguidos, ou seja revelando uma nítida e clara intenção de parar a qualquer preço o condutor daquele veículo.
Está mais que provado, que o Nuno não devia de ter morrido naquela noite, mas mesmo assim, ao ser confrontado com os comentários a esta noticia na Internet, a mesma “grunhagem” anónima, continua a dar razão à policia, como se de um lado da barricada só houvessem demónios e do outro apenas anjinhos.
Com as irrefutáveis provas de que a força besta foi usada pelo agente de serviço e que terá o julgamento que merece, preocupa-me a outra “bestialidade” comentária de um significativo número de energúmenos que verborreiam ódios sem apelo nem agravo, mas sempre a coberto do quentinho do anonimato.
Se houver justiça, o nome do Nuno será reabilitado apesar de todos os pesares!"